sábado, 14 de maio de 2011

Entidades de todo o mundo expressam apoio à CIDH

Mais de oitenta organizações nacionais e internacionais de defesa dos Direitos Humanos, do meio ambiente e da Justiça internacional manifestaram preocupação com o posicionamento do governo brasileiro frente à medida cautelar da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), que pede a paralização do projeto de Belo Monte até que sejam cumpridos os trâmites constitucionais de proteção às comunidades indígenas ameaçadas.



Veja abaixo a relação de documentos enviados à presidente Dilma Rouseff, com cópia para a direção da CIDH:


Por Xingu Vivo

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Efeito Aldo: MT volta ao passado

Desmatamento em Mato Grosso aumenta 43%

O desmatamento aumentou em 43% no Estado de Mato Grosso conforme dados do Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) coletados entre agosto de 2010 e abril de 2011 e comparados com o mesmo período anterior.

As informações foram passadas pelo Inpe durante palestra a coordenadores e funcionários da fiscalização federal e estadual em Cuiabá na manhã desta sexta-feira (13), conforme apuração da Folha. As autoridades que participaram da palestra não confirmaram os dados.

"O Deter não se presta a comparações entre período, pois é muito sujeito a variações como a cobertura de nuvens. O sistema é um alerta, em tempo quase real, de possíveis desmates em andamento", disse Mauro Pires, diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério de Meio Ambiente.

A avaliação oficial, disse ele, virá em agosto com a divulgação dos dados do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), que estabelece a taxa oficial de desmatamento.

Segundo ele, porém, é possível afirmar que o Estado vive um "pico fora da curva" nas derrubadas desde o segundo semestre do ano passado. "Ainda estamos aguardando a confirmação oficial, mas é certo que houve uma aceleração", disse.

Mato Grosso, declarou o diretor, vinha mantendo em anos anteriores uma trajetória de redução dos desmates e também na extensão das áreas contínuas derrubadas.
"Neste ano, o Deter acusou um desmate de 1.800 hectares, por exemplo. Se não fosse pelo alerta e a fiscalização em tempo hábil, a área total atingida teria sido o dobro", disse.
Ele admitiu que o mudança pode ter relação com uma expectativa de ampla anistia com as mudanças no Código Florestal. "É o que temos detectado nas ações em campo."

Floresta amazônica pode virar savana, diz estudo do Banco Mundial

Um estudo patrocinado pelo Banco Mundial indica que, se a temperatura do planeta e o ritmo do desmatamento da Amazônia aumentar, a região pode sofrer um processo de "savanização" da floresta
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O relatório, divulgado pela revista BioScience, analisa o chamado "Amazon Dieback", processo em que a bacia amazônica perde a densidade de sua biomassa como consequência das mudanças climáticas.  Com menor densidade de biomassa, a floresta se torna mais suscetível a queimadas.

Segundo o relatório, existe alto risco de que esse processo ocorra no sul e sudeste da Amazônia, região bastante afetada pelo desmatamento conhecida como Arco do Fogo.  No sul da Amazônia, por exemplo, os cenários indicam que a possibilidade da região se tornar savana é de 30%, no cenário otimista, e 87%¨, no cenário pessimista.

Segundo Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial entrevistado pela revista BioScience, é possível reverter o processo de savanização com medidas de prevenção.
"Primeiro, é preciso evitar desmatamento no oeste e nordeste da Amazônia com o máximo de áreas protegidas possível.  Isso porque nessas áreas a floresta é resiliente.  Depois, é preciso reduzir o desmatamento no sul e sudeste, com um esforço especial para salvar espécies".



Brazil's forest code vote delayed again

Brazil's vote on a revision forest code has been postponed again. 

After nearly three days of heated debate and political posturing in the Chamber of Deputies over the bill, which could change how Brazil's wilderness areas are managed, Brazil's Congress said it will delay the vote until next Thursday, May 19. If the bill passes, it would then move to the Senate before going to President Dilma Rousseff, who said during her campaign she will not enact policies that undermine Brazil's commitment to protecting the Amazon. 



The bill would reform the 1965 forest code which requires landowners to keep a substantial proportion of their land forested -- 80 percent in the Amazon rainforest, and 20 to 35 percent in the Cerrado grassland. The agricultural sector wants to reduce the proportion of protected land, arguing that few landowners are currently in compliance with the law. The Brazilian government sees reform as a potential lever to improve governance in the vast Amazon region. But environmentalists fear weakening the code effectively grant amnesty to deforesters while enabling more forest clearing. They note that the Brazilian government has shown little capacity or political will to enforce environmental laws.

Deforestation in the Brazilian Amazon has steadily declined since 2004, falling to its lowest level on record last year. Analysts attribute the drop to better law enforcement, new protected areas, private sector initiatives, new government policies, and macroeconomic trends, including a strong Brazilian real which makes Brazilian exports more expensive in foreign markets. Still environmentalists fear that deforestation could increase with new investments in infrastructure. Furthermore there are concerns that climate change could take a heavy toll on the Amazon, which has experienced the two worst droughts on record in the past five years. Droughts lead to direct die-off and leave rainforest vulnerable to fire. 




source mongabay.com


A aberração dos quatro módulos fiscais

A figura jurídica do “módulo fiscal” foi instituída pelo Incra com o objetivo de estabelecer um parâmetro mínimo de extensão das propriedades rurais que indique a sua viabilidade como unidade produtiva, dependendo da sua localização. A extensão do módulo fiscal varia de 5 a 110 hectares, dependendo da localização do município em que está situada a propriedade rural. Nas regiões metropolitanas, via de regra, a extensão do módulo rural é tendencialmente bem menor do que nas regiões mais afastadas dos grandes centros consumidores.

Caso a proposta de revisão do Código Florestal formulada pelo deputado Aldo Rebelo venha a ser aprovada pelo Congresso Nacional, a instituição da figura do módulo fiscal como parâmetro para isentar propriedades rurais (até quatro módulos) da responsabilidade de recuperar áreas de reserva legal geraria situações absurdas pelo território nacional afora.
Uma propriedade rural com 100 hectares, que tenha desmatado a sua área de reserva legal, estará isenta de recuperá-la se estiver situada no município de Tietê, mas não estará isenta e estará obrigada a recuperar ou compensar 20 hectares se estiver situada no município de Piracicaba, ambos localizados numa mesma sub-região do estado de São Paulo.

Uma propriedade rural com 500 hectares, que tenha desmatado a sua área de reserva legal, terá que recuperar ou compensar uma extensão de 79,2 hectares se estiver situada em Tietê, mas terá que recuperar ou compensar uma extensão de 92 hectares se estiver situada em Piracicaba.

Similarmente, uma propriedade com 100 hectares e que não dispõe de reserva legal não precisará recuperá-la se estiver em Conchas, mas precisará recuperar ou compensar 20 hectares se estiver em São Manuel, na mesma sub-região de SP. Se a propriedade tiver 500 hectares e não dispuser de reserva legal, terá que recuperar ou compensar 76 hectares se estiver em Conchas, mas que seriam 86,5 hectares se ela estivesse localizada em São Manuel.

No município paulista de Cunha, com perfil serrano, propriedades sem reserva legal com até 160 hectares ficariam isentas de recuperá-la ou compensá-la, enquanto em Itapecerica da Serra, município com um perfil topográfico similar e localizado no mesmo estado, embora em região diferente, propriedades sem reserva legal com mais de 20 hectares estariam obrigadas a recuperá-la ou compensá-la. A extensão oito vezes menor do módulo fiscal em Itapecerica, que se justifica por sua proximidade em relação à capital, lhe imporia uma desvantagem comparativa em relação a Cunha para fins de obrigação de recuperação de reserva legal, quando as terras em Itapecerica seriam, supostamente, mais valiosas e mais necessárias para a produção de alimentos do que as situadas em Cunha, muito mais distantes dos principais mercados consumidores.

Ainda comparando esses dois municípios paulistas, uma propriedade com 500 hectares sem reserva legal em Cunha estará obrigada a recuperar somente 72 hectares, enquanto outra com a mesma extensão e situação localizada em Itapecerica estará obrigada a recuperar 96 hectares.

No Mato Grosso, onde já há diferenciação por bioma (floresta 80% e cerrado 35%) do percentual de reserva legal, uma propriedade sem reserva legal e com 350 hectares não precisaria recuperá-la se estiver situada em Cláudia ou em Sinop, mas teria que recuperá-la se estiver em Canarana, Querência ou Primavera do Leste. Se a propriedade tivesse uma extensão de mil hectares e não dispusesse de reserva legal, teria que recuperar 480 hectares se estivesse em Cláudia, 512 ha se estivesse em Sinop, 544 ha se estivesse em Querência, 238 ha se estivesse em Canarana e 266 ha se estivesse em Primavera do Leste.

Anomalias do gênero ocorreriam Brasil afora. Uma propriedade de 300 ha em Crateús (CE), desprovida de reserva legal, não teria nada a recuperar, mas propriedade com igual extensão e também sem reserva, em Eusébio (CE), estaria obrigada a recuperar 52 ha (embora as terras em Eusébio, na grande Fortaleza, sejam supostamente mais necessárias à ocupação). Em Goiás, uma propriedade com 500 ha e sem reserva teria que recuperar 44 ha se estiver situada em Posse ou em Alvorada do Norte, mas teria que recuperar 84 ha se estivesse em Ceres, mas que já seriam 60 ha no município vizinho de Pilar de Goiás.

Além disso, a utilização deste parâmetro projetará as distorções fundiárias e cartoriais sobre a obrigação ambiental de cada propriedade ou proprietário. Por exemplo, uma propriedade com sete módulos de extensão, se composta por mais de uma matrícula cartorial, poderá ver-se totalmente isenta dessa obrigação. Por conseguinte, a instituição em lei deste parâmetro incentivará manipulações cartoriais e subdivisões de propriedades com o objetivo de desmatar ou de não recuperar áreas florestadas nas propriedades rurais.

Significa dizer que a eventual aprovação da proposta do deputado Aldo Rebelo, nos termos em que se encontra tornaria impossível o controle pelos órgãos ambientais sobre a situação de cada propriedade, assim como inviabilizaria a implantação de qualquer tipo de cadastro ambiental rural (previsto na sua própria proposta). Haveria uma situação fundiária de fato, relativa à condição objetiva das propriedades rurais, e uma situação fictícia, decorrente da burla generalizada dos dados fundiários visando isenções de obrigações ambientais.

Por essas e outras, caso o Congresso Nacional venha a acolher a referida proposta, estará instituindo uma situação de absoluta ingovernabilidade florestal, seja qual for a instância do poder público responsável pela gestão da política florestal. Por isso, reafirmo a minha opinião de que a proposta em discussão é reacionária, predatória e impossível de ser remendada. Se o Congresso acatá-la como base para a reforma do Código Florestal, estará produzindo a pior lei florestal da história do Brasil.

Por Márcio Santilli
 
Fonte: ISA
  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Se criado, Carajás herdará riqueza, desmatamento e violência do Pará

Caso o Pará for dividido em três, Carajás vai possuir a maior parte da riqueza mineral do Estado, que inclui a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, operada pela Vale.  Entretanto, junto com as riquezas viriam também os problemas: o Estado seria um dos maiores desmatadores da floresta amazônica e o que mais sofre conflitos pela terra na região.

A divisão pode ocorrer se a população local aprovar, em plebiscito, a criação dos novos estados.  A Câmara dos Deputados votou, na última quinta-feira (5), dois projetos de lei para a criação desses plebiscitos, que devem ocorrer em seis meses, e dividem o estado em três: Carajás, Tapajós, além do próprio Pará.

O Estado de Carajás seria criado na parte sul e sudeste do Estado, com 39 municípios e capital em Marabá.  Tapajós ficaria na porção oeste, com 27 municípios e capital em Santarém.  O novo Pará, com capital em Belém, teria apenas 17% do seu atual território.

Carajás concentraria a maior parte da riqueza mineral do Pará - em 2010, a mineração correspondeu a 86% das exportações paraenses.  Atualmente, apenas os municípios de Marabá, Parauapebas e Canaã dos Carajás, todos em território de Carajás, recebem mais de 80% dos royalties da exploração mineral.  Além disso, a Vale prevê investimentos na região, até 2015, da ordem de US$ 33 bilhões.
Junto com a prosperidade, o Estado também "herdaria" os problemas sociais e ambientais que hoje são de responsabilidade do Pará, concentrando a maior quantidade de casos de violência no campo e trabalho escravo registrados na região.

Segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), por exemplo, foram 18 assassinatos no Pará devido a conflitos pela terra em 2010.  Desses, 17 ocorreram em municípios que formariam o Estado do Carajás.  A maioria dos assassinatos aconteceu em Pacajá, Santana do Araguaia e São Félix do Xingu.
Nos casos de trabalho escravo, a região também lidera: dos 70 casos que a CPT identificou no Pará em 2010, 58 aconteceram em municípios que formariam o Estado do Carajás.

Desmatamento

Os dois novos Estados - Carajás e Tapajós - também estariam no topo da lista das unidades da federação que mais desmatam a Amazônia.
Dos 981 km2 de desmatamento que os satélites do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) registraram em 2010, praticamente a metade (49,2%) foram desmatadas no território que se propõe a criação do estado de Carajás, e 38% no território de Tapajós.  Apenas 13% do desmatamento seria da área que continuaria sendo o Pará.

Para se ter uma ideia, se a divisão já tivesse ocorrido em 2010, Mato Grosso seria o estado que mais desmatou (e não mais o Pará), mas Carajás e Tapajós seriam o segundo e o terceiro, respectivamente, na lista, na frente de Amazonas, Rondônia e Maranhão.

Tapajós teria as áreas protegidas mais ameaçadas pelo desmatamento ilegal.  Em 2010, foram 160 km2 de desmatamento em unidades de conservação e terras indígenas na região, e 96 km2 em Carajás.  A unidade de conservação mais atingida é a APA Triunfo do Xingu, que faria parte dos dois estados: em Tapajós, no município de Altamira, e em Carajás, no município de São Félix do Xingu.

Tapajós também teria que enfrentar os impactos sociais e ambientais da usina hidrelétrica de Belo Monte.  A hidrelétrica está prevista para ser instalada no rio Xingu, nos municípios de Altamira e Vitória do Xingu, ambos em território de Tapajós, mas a área de influência direta da usina afetaria também municípios de Carajás, como Anapu e Pacajá.

Tramitação

O decreto legislativo para a realização de um plebiscito para a criação de Carajás pode ser promulgado a qualquer momento.  Já o do plebiscito para Tapajós precisa ser novamente apreciado no Senado, pois houve mudança no texto do projeto.

O texto original, de 1999, dizia que o plebiscito deveria ser feito em todos os municípios do Pará.  Na versão mais recente do projeto, fica delimitado plebiscito apenas nos municípios que formariam o Estado de Tapajós.  O projeto de lei de Carajás deixa essa decisão para o Tribunal Superior Eleitoral.
A questão é importante porque, de acordo com pesquisa da Universidade Federal do Pará (UFPA), citada no jornal Diário do Pará, 90% da população do oeste e 60% da população do sul do Pará concordam com a criação dos novos Estados.  Se o plebiscito for feito apenas nos municípios que seriam separados, a chance de aprovação da mudança é muito grande.  Já se Belém e o restante do Pará também forem consultados, a divisão pode enfrentar maior resistência.

O principal argumento dos "separatistas" é que as grandes distâncias do interior, em relação a Belém, dificultam a vida comercial e jurídica da região.  Para os contrários à mudança, o principal problema é o grande custo para os contribuintes: de acordo com pesquisador do Ipea, a União gastaria R$ 2 bilhões adicionais por ano com a instalação dos novos Estados.

Apenas 5 das 40 condicionantes de Belo Monte foram cumpridas, diz Ibama


De acordo com relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), somente 5 das 40 condições socioambientais necessárias ao início das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) tinham sido totalmente atendidas até abril.  As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O documento, segundo o jornal, coloca em dúvida a expectativa do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de que a usina tenha a licença para começar a ser construída já em junho deste ano.  Segundo o relatório, cerca de 60% dos 103 planos, programas e projetos para cumprir as obrigações têm "pendências".

O relatório diz ainda que a empresa Norte Energia nem sequer começou a fazer os principais investimentos necessários em infraestrutura para que a região de Altamira (PA) suporte o fluxo migratório.
Segundo o Ibama, algumas das escolas e hospitais cuja construção deveria ser anterior à licença de instalação da usina só serão entregues entre dezembro deste ano e julho do ano que vem.

Em relação ao saneamento básico, o órgão diz que, "para o atual cenário de previsões de obras, o afluxo populacional poderá causar uma piora temporária nas condições de saneamento na região", já críticas hoje.
Em resposta à apuração da Folha de S. Paulo, o instituto enviou uma nota à imprensa. Nela, o órgão diz que o relatório é "um resumo, já ultrapassado, que mostrava à época a evolução do atendimento das condicionantes por parte do empreendedor, não caracterizando uma análise ou parecer técnico preliminar ou conclusivo sobre a licença".
O Ibama, porém, não indicou na nota quantas condicionantes foram totalmente atendidas depois da elaboração do documento, feito em abril deste ano.